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04/07/2008 12:21
AS DUAS FACES
Richard Simonetti
Famoso artista assumiu o compromisso de pintar grande quadro a óleo para a catedral de uma cidade italiana. A tela teria por tema a vida de Jesus. Durante meses, o pintor dedicou-se ao gratificante trabalho. Ao final, faltavam duas personagens:
Jesus-menino e Judas Iscariotes.
Meticuloso, ele pôs-se a procurar os modelos ideais. Em bairro de periferia viu um menino de sete anos, cujo rosto o impressionou vivamente. Tinha expressão suave, fisionomia tranqüila, olhos brilhantes e expressivos. Era bem o menino Jesus que concebia. Conversou com seus pais e conseguiu que o levassem ao ateliê.
Dia pós dia o modelo infantil posou pacientemente, até que a figura de Jesus-menino foi retratada, com toda a pureza e inocência pretendidas. O pintor suspirou, aliviado. Faltava apenas Judas.
Jamais poderia imaginar que teria dificuldades. O tempo passou, anos se sucederam, sem que o modelo ideal fosse encontrado. O artista viu homens que traziam estampada na face a vilania e a degradação. Mas nenhum deles possuía uma fisionomia que configurasse Judas como o imaginava: deprimente figura, um homem vencido pela ambição, atormentado pela vil traição.
Os padres reclamavam, ele próprio se sentia envelhecer e temia não terminar a pintura, em face das exigências de sua própria arte. O quadro inacabado ficou num canto do ateliê, por duas décadas.
Mas o pintor não desistira. Obcecado pela procura, examinava atentamente os homens com quem travava contato, mas nenhum se aproximava do modelo idealizado. Certa feita, bebericava um copo de vinho, numa taverna, quando pobre homem, esfarrapado e magro, apareceu na porta. Dando um passo à frente, rolou pelo chão.
Voz rouquenha, implorava:
-Vinho, vinho!
Compadecido, ao tentar levantá-lo, viu-lhe o pintor o rosto bem de perto e estremeceu de emoção.
Aquela fisionomia atormentada, viciosa, suja, desesperada, era o retrato fiel de Judas!
Ansioso, ajudou o mendigo a erguer-se e propôs-lhe:
- Venha comigo! Eu o ajudarei!
O infeliz o acompanhou.
Chegados ao ateliê, depois de ter satisfeito a fome e a sede do improvisado modelo, o pintor desvelou a tela, dispondo-se a iniciar o trabalho. Entretanto, quando o mendigo contemplou a tela, deixou-se possuir por grande agitação, desandando em choro convulso. O pintor ficou atônito.
- Meu filho, por que se aflige tanto? Em que posso ajudá-lo?
Ele não conseguia falar, dominado por insuperável tormento.
- Fale, meu filho! O que houve? Quero ajudá-lo!
O infeliz controlou-se e a chorar perguntou:
- Não se lembra de mim? Há muitos anos estive aqui. Fui eu! Fui eu quem posou para o seu menino Jesus!
Essa msg foi lida e comentada na palestra dessa semana, na Luz Divida.... só que ao invés de eu dar meu parecer, vou deixar para cada um refletir no que a mensagem traz para cada um dos corações.
Aproveitando o ensejo, gostaria de informar a todos que estou muito muito muito muito muito feliz!
Beijos
enviada por Taty Paty Me-au
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