Lições Espíritas

10/11/2006 09:56
Essa semana tive uma conversa com alguém que amo muito, sobre “Vingança”, e pra variar, não pude expressar o que eu sentia e pensava a respeito...
Fiquei com as palavras entaladas na minha garganta, pra evitar discussões, mas refleti bastante a respeito do que foi-me dito.
Ouvi que o homem tem a vingança como característica instintiva.
É verdade, depois de pensar a respeito, digo que concordo.
Porém o homem é o único animal capaz de controlar seus instintos e, desde que passou a conviver em sociedade,
foi-se gerando regras que o ajudavam a conter seus instintos contrários aos princípios de fraternidade e convívio social.
Refletindo sobre isso, resolvi postar uma mensagem sobre o tema “VINGANÇA”.
Cita-se o Salmo 18, versículos 47 e 48: "(...) o Deus que me dá vingança, e sujeita os povos debaixo de mim,
que me livra de meus inimigos; sim, tu me exaltas sobre os que se levantam contra mim; tu me livras do homem violento."
Vamos analisar essa passagem como o ponto de fixação histórico a que queremos nos referir.
O homem, em seus primórdios, entendeu que deveria se proteger.
Seu instinto de conservação aliou-se à razão e os mecanismos de defesa foram surgindo, até os dias de hoje.
Com o desenvolvimento da razão, entretanto, a primazia de um grupo sobre outro reclamava certa dose de liderança,
baseada na força e na violência, compatíveis com a brutalidade daquela época.
Uma ação violenta deveria ser combatida com outra ação violenta no sentido de extinguir sua causa,
levando à própria sobrevivência e de seu grupo, sua família.
Foi quando o homem foi expandindo a noção de grupo e entendeu que poderia se unir aos outros no sentido da fraternidade.
Quando descobriu que os outros passavam por problemas semelhantes aos dele,
e entendeu finalmente que não era pela violência pura e simples que se deveria lutar pela sobrevivência, mas pela união.
Estamos ainda falando da época animalizada do ser humano.
Entretanto, ao longo dos tempos, a "contrapartida" tomou novo vulto quando a palavra "honra" começa a ser empenhada.
(Ontem assisti Tróia, com Brad Pitt, que é profundamente inspirador sobre esse tema: Honra X Vingança).
O orgulho e o egoísmo levam o homem a forçar por todos os meios a própria primazia,
combatendo não pela sobrevivência, mas pela "defesa da honra", revestida sob as vestes do nacionalismo, da etnia, da supremacia social, etc. Entra ai também a cobiça, o desejo de poder.
O homem também desenvolve sua noção de Deus, que lhe dá nova perspectiva do mundo.
O monoteísmo coloca o homem frente a frente com o convite de entender o porquê de sua vida, de sua existência,
sendo o caminho natural o desagregar das posturas mais egoístas e orgulhosas.
Não foi isso, entretanto, que se viu.
Deus começa a servir ao orgulho, ao invés de o orgulho se curvar a Deus, na pessoa do homem.
Ainda refém de seus instintos e, agora, de suas paixões, o homem não consegue conceber Deus além de sua pequenez e,
acreditando-se certo, chama de "violento" o que lhe ataca, como se o Criador precisasse de exércitos terrenos.
A vingança era pregada como a supremacia de Deus e a violência era de quem atacava. "Olho por olho, Dente por dente". Vale lembrar que essa era a cultura da época, era assim que pensavem, portanto com essas palavras que se chegava "à vontade de Deus".
Por isso esperavam o Messias: o Grande Vingador das humilhações que o "povo escolhido de Deus" tinha sofrido,
carregando consigo o maior dos exércitos e vingando-se para provar a superioridade de Deus.
Entretanto, na manjedoura nasce um pequeno menino frágil e pacífico, causando natural descontentamento em quem não conseguiu aprender,
deixando que sua "honra" ficasse acima de sua razão e de seu coração.
E esse homem, como se não bastasse, prega o amor aos inimigos (que louco! - pensavam),
não só combatendo pela pregação, a vingança, como sendo o maior representante da paz.
Por que Jesus é chamado o Príncipe da Paz?
Porque não só frustrou as expectativas bélicas do orgulho ferido, como ensinou o que fazer com essas expectativas,
orientando-as para a compreensão e a união, mostrando que não é a vitória no campo material que torna o Espírito feliz , mas a vitória sobre si mesmo, no campo do entendimento e do amor.
Nesse aspecto, as palavras do Cristo assumem mais amplo e novo significado.
Que significado seria esse para nós hoje?
Para o espírita, a vingança não é mais somente um movimento exterior.
É um movimento que nasce do Espírito e aí deve ser combatida para que não se torne erva daninha a corroê-lo,
fazendo-o destoar dos objetivos educativos da vida.
"Quem dera se eu pudesse torcer as gargantas da Vânia e do Sidney com minhas próprias mãos... Quem dera eu contratar alguém para dar uma surra bem dada a eles. Ou talvez o Universo conspirasse para que eles perdessem tudo que nos tirou..." quantas vezes pensei assim... quantas vezes ouvi “Se fosse comigo, eu faria isso, eu faria aquilo...”...
No campo do Espírito a vingança nasce no sentimento de orgulho, ou "honra", ferido.
Esse sentimento deve ser atentamente observado para que não gere o sentimento de frustração, depressão e revolta desnecessárias.
Nesse tempo, o trabalho na caridade exerce influência decisiva.
Quem trabalha tem campo aberto para transformar em semente diferente o galho podre de que foi alvo, fazendo sua parte na renovação do mundo.
Depois de conhecer a Doutrina Espírita, alterei conscientemente meus desejos...
não posso dizer que não desejo de vez em quando, que ela pague pelo quanto nos fez sofrer, mas hoje penso diferente.
Com a reencarnação, o Espiritismo mostra que a vingança não é somente mais um ato material, mas uma postura de estacionamento espiritual,
em que duas entidades se cegam ao mundo para se dedicarem ao pior de si mesmas, em tramas que podem levar séculos afim.
Finalmente empenhando a palavra esclarecedora, demonstrando não só a covardia dos atos do ponto de vista material,
passando pela falta de senso do ponto de vista da reencarnação, e culminando na bondade de Deus, que visa ensinar e não exterminar.
Acredito na Incontestável lei da Ação e Reação: “Tudo que vai, volta com a mesma intensidade” e confio nas forças do Universo.
Sei que o que ela fez de mal, ela sofrerá as conseqüências.
Tudo que a gente vive é consequência dos nossos atos e das nossas escolhas.
Tenho mágoa ainda, tenho, eu sei, mas desejo o bem a ela, para que me volte um desejo de bem, também,
criando harmonia entre nossa corrente de pensamento. Quem sabe, sem mágoas ou sentimento de vingança, eu nunca mais precise cruzar meu caminho com o dela??? Isso é sentimento de esperança, rss..
Mas falando sério de novo, não é altruísmo, nem hipocrisia... é apenas a consciência e o desejo de me tornar uma pessoa melhor.
Com essa postura pedimos sempre a Deus que nossa "vingança" seja a capacidade renovada de retribuir todo mal com trabalho.
E que essa nossa postura sirva de exemplo aos que nos cercam.
Sem pressa, com compreensão e com amor iremos caminhando ao entendimento das palavras do Príncipe da Paz,
o maior Educador que a Terra já conheceu, quando disse: "Amai os vossos inimigos".
Sejamos também nós os construtores da paz que vence a violência e
do entendimento que vence o ódio no microcosmos que Deus nos legou à participação,
começando do lar e se expandindo, à medida de nossa capacidade, a todos os corações.

Sugestão de filme: Hotel Ruanda (triste retrato da violência entre os homens).
enviada por Taty Paty Me-au






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